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sábado, 1 de novembro de 2014

De passagem

 
 


Na manhã de uma quinta-feira totalmente descompromissada e aparentemente cinza, uma alma simples, vestida de uma mulher de mais de 50 anos, com as mãos calejadas de tanto limpar casas que não são suas, de sorriso fácil e boa vontade extrema, vem te dizer verdades tão simples, já ouvidas tantas vezes em músicas e bocas diversas, mas que certamente nunca mais serão esquecidas por estarem carregadas de mais de 50 anos de verdade.

“A vida é curta.”

“Cuide do seu filho e do seu marido.”

“Arrume tempo para aproveitar com a sua família.”

Ao se permitir aconselhar alguém as lágrimas lhe vêm aos olhos. Eu pergunto porque o choro e ela simplesmente responde: “Porque ver o amor me emociona.”

Depois de cinco minutos de palavras trocadas, a mesma quinta-feira muda de cor e me propõe, através dessa alma simples, mas de gestos tão nobres, recomeçar.

É sempre possível recomeçar.
Recomeçar não é assumir que o até agora estava errado.
Recomeçar e se propor a ser e fazer diferente aquilo que pode ser ainda melhor.
Recomeçar é um exercício de maturidade.
 
Fran, obrigada por estar por perto...

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Aprendendo com Fernando Pessoa


Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá a falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas ese tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma .
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um 'não'.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo...

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Os olhos mostram as verdades do coração


Lá está ele, em mais um fim de noite de domingo qualquer, largado no sofá, buscando entender mais um filme que se propõe a assistir na televisão, que já está pela metade.
Ao fitá-lo por alguns minutos, vendo um sorriso esboçado em seu rosto, deduzo : há uma espécie de lei ao contrário, ao contrário do mundo ! “É preciso não levar vantagem em nada”. A vantagem é para os espertos . E a esperteza não é lá muito louvável. Ele sempre deixou claro que há um jeito certo de sair pelo mundo, seja qual for o caminho e a distância. Essa coisa estranha e meio em desuso chamada honestidade.
Ele se irrita com o noticiário, com a desonestidade pública, oficializada e impune. Mas não deixa de acompanhar o noticiário, mesmo quando decreta a sua desesperança. Tudo isso envereda pelo campo da generosidade, essa generosidade que acolhe os escolhidos pelos filhos e todas as cabeçadas que a gente anda dando por aí e que nunca foram julgadas e condenadas, a generosidade das comidas que ele vai comprar segundo o gosto de cada um, da conta de restaurante que ele vai pagar as escondidas, antes que a gente perceba, a generosidade do dinheiro que ele empresta e os pagamentos que ele depois não aceita receber.
Lá está ele, em mais um fim de noite de um domingo qualquer, largado no sofá, enquanto a noite cai. Todo preocupado em construir algo para seus filhos e para a sua esposa , com quem é casado há mais de 25 anos.
É gentil com ela. Gentil conosco. Gentil com as pessoas por aí, na rua , e até com quem não merece gentileza. Gentil com o noticiário que o decepciona dia após dia e ao qual ele continua concedendo sua atenção. Gentil com um mundo que tem arestas duras e um status quo de injustiça, inóspito para os mais velhos, para os bichos, para os justos – inóspito, ponto !
Gentileza gera gentileza como quis o poeta ?
Generosidade gera generosidade ?
Honestidade gera honestidade ?
Lá está ele, largado no sofá, no fim da noite. Todas essas coisas que ele sempre foi, veementemente, são um pouco daquilo que espero do resto do mundo, ingênua ou não. Não me dou com os espertinhos. Não suporto levar vantagem. Tenho medo da ambição que corrompe amizades e da indelicadeza que corrói amores.
De tempos em tempos a gente desaba nas encruzilhadas, porque como eu e os filhos dele às vezes comentamos, as pessoas não são como ele e temos o péssimo hábito de achar que são.
O desvio dessa norma me leva às lágrimas, as decepções são horríveis, o fim do mundo parece bem próximo. Mas continuo confiando nas relações humanas. Continuo acompanhando o noticiário, como ele me ensinou a fazer.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Aulas de Ser e Estar com Papai


Aprendi com ele a ser amante de passeios de moto, viagens, música, poesia e livros

Aprendi com ele a ser chata, teimosa, organizada, detalhista, questionadora,sonhadora, lutadora e vencedora

Aprendi com ele a estar ausente, mas mesmo assim me fazer presente

Aprendi com ele a estar firme, mesmo quando meu coração está pequeno

Aprendi com ele a estar mulher, mesmo quando eu queria ser filha.

[E eu às vezes ainda tento me convencer de que não pareço com você]